Cinema e Psicanálise - A Voz do Coração

April 9, 2019

Penso que a grande contribuição do filme A Voz  do Coração, dirigido por Christophe Barratier, é a respeito da fé no ser humano, mas não no sentido religioso da palavra. A importância da esperança, da mente aberta, não saturada, que pode gerar mudanças. A fé que dá contorno, acolhimento e sustentação, e é isso que o personagem do supervisor Mathieu faz pelos jovens do orfanato. Ele lhes dá algo que até então não haviam experimentado ou haviam experimentado e perderam. Inaugura para muitos deles a retomada do curso da vida, pois procura manter um ambiente humano, não só com os jovens, mas também com os colegas de trabalho. Ele percebe que, pela ausência de uma “escuta” apurada desses jovens, em condição de desamparo, podem vir a desenvolver patologias severas em um futuro próximo. Identificado com eles, percebe os descompassos na instituição que o deixam aturdido, fazendo com que perceba o quanto os jovens necessitam de alguém que possa “escutar” as suas dores e as suas alegrias. Assim atento, começa a manejar o contato de forma diferente daquela que ocorria até então na escola. Ele é um devotado, que é aquele que se dedica, se debruça sobre alguma causa. Mathieu se entrega aos outros num ato de amor, sem esperar nada em troca, e tem a capacidade de suportar a carga emocional, sem morrer, sem fugir. Vemos o quanto ele tem uma função terapêutica naquela equipe, em que todos necessitavam de cuidados, pois ficaram expostos à doença mental e ao colapso.

 

 

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